Autores: Alberto Souza e Priscila Ruffa

Entrar no time de Engenharia do Nubank significa mergulhar em um ecossistema técnico complexo, formado por centenas de microserviços, arquiteturas distribuídas e tecnologias como Clojure e Datomic. É empolgante mas também desafiador, especialmente para alguém que chega pela primeira vez e quer fazer a diferença o mais rápido possível.

Essa diferença nasce de uma mentalidade de dono. Desde o onboarding, cada engenheiro e engenheira é convidado a assumir responsabilidade, explorar soluções, fazer perguntas difíceis e desenvolver autonomia para navegar um sistema vivo e em constante evolução. Aqui, aprender o contexto não é passivo, é uma prática ativa de descobrir, construir e desafiar padrões.

Por isso, o nosso onboarding vai além da vivência da nossa cultura. Ele precisa garantir que cada pessoa nova, que chamamos de Nuvinho, compreenda o contexto, se sinta apoiada e tenha meios concretos para aprender o que precisa para contribuir rapidamente com código real. Com esse objetivo, reavaliamos por completo a experiência de chegada, e os resultados mudaram não apenas indicadores, mas a jornada prática de quem passa por ela.

Onde estávamos e o que precisávamos resolver

Antes das mudanças, o onboarding do time de Engenharia apresentava desafios claros. O conteúdo oferecido era genérico e pouco conectado ao dia a dia real dos nossos desafios técnicos, o que fazia com que muitos novos engenheiros de software buscassem materiais e explicações por conta própria. 

Além disso, o processo era passivo: o recém-chegado recebia convites no calendário, mas não contava com orientações estruturadas sobre prioridades, ritmo ou acompanhamento contínuo. O progresso dependia essencialmente do relacionamento com o Buddy.

Essa falta de ambientação se refletia também nas avaliações internas. Em novembro de 2024, a satisfação com o onboarding da engenharia registrava padrões abaixo do considerado como target medida através de CSAT (Customer Satisfaction Score), métrica bastante comum no mercado para avaliar a satisfação das pessoas sobre um produto, serviço ou processo. Se queríamos que novos engenheiros se sentissem seguros, preparados e produtivos desde cedo, era necessário mudar.

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Como redesenhamos o onboarding da engenharia de software

A nova abordagem transformou o onboarding funcional em uma jornada prática, guiada e orientada por dados.

1. Mais contato, menos caminho solitário

Criamos touchpoints distribuídos ao longo das semanas, garantindo que ninguém precisasse navegar o processo de forma isolada. As Welcome Talks passaram a receber as novas pessoas com alinhamento de expectativas e visão da engenharia como um todo. Ao mesmo tempo, mensagens e lembretes via Slack mantiveram o ritmo, ajudando cada pessoa a entender claramente o que precisava fazer e em qual momento.

2. Conteúdo conectado ao dia a dia real

Os materiais foram reformulados para refletir como o trabalho acontece dentro do Nubank. O aprendizado deixou de acontecer em cenários abstratos e passou a ser construído em cima de desafios inspirados em serviços reais, com exemplos de arquitetura, ferramentas e padrões de engenharia adotados internamente. Assim, a teoria passou a fazer mais sentido porque era imediatamente vivenciada na prática.

3. Métricas para medir aprendizado

Também entendemos que era necessário evoluir a forma de monitorar o aprendizado. Por isso, criamos novas formas de medir a evolução real. Uma delas foi o Confiômetro, ferramenta interna que avalia a confiança antes e depois de cada etapa durante o onboarding. Implementamos igualmente avaliações padronizadas para medir conhecimento técnico, e o CSAT foi reestruturado para analisar três frentes essenciais: relevância do conteúdo, compreensão dos conceitos e preparo para aplicar o que foi aprendido no trabalho diário.

4. Um desafio de 30 dias

Definimos um marco claro: utilizar o primeiro mês para avançar o máximo possível no onboarding. Isso trouxe ritmo, foco e alinhamento entre novos engenheiros de software e seus gestores. A jornada deixou de ser uma iniciativa em ritmo individual e passou a ser uma construção acompanhada de ponta a ponta.

Resultados e aprendizados

Desde a implementação do novo programa, os sinais de melhoria passaram a aparecer de forma consistente, tanto na percepção dos novos engenheiros de software quanto no feedback dos times que os receberam. A experiência de onboarding passou a ser avaliada de forma significativamente mais positiva, com avanços na clareza e relevância do conteúdo e preparo para aplicar o conhecimento no trabalho real. O que antes era visto como uma jornada pouco estruturada passou a ser percebido como organizada, útil e conectada ao dia a dia.

“Os Nubankers estavam muito mais preparados para trabalhar em uma tarefa da nossa sprint porque agora já estavam familiarizados com Clojure e Datomic, além da arquitetura do Nubank. Então, foi apenas uma questão de dar contexto sobre nossos serviços e escopos.” – Leonardo Marinho, Engineering Manager II no Nubank

Os participantes também passaram a relatar um ganho expressivo de confiança ao final das primeiras semanas, alcançando 100% de aumento de confiança. As avaliações de conhecimento mostraram melhorias evidentes, com maior consistência entre as notas, um indicativo de que o programa está ajudando a equalizar o nível técnico de quem chega, independentemente da trajetória anterior.

Ao final do programa, os Nuvinhos também indicaram sentir-se mais prontos para atuar na Engenharia do Nubank, um reflexo direto de um onboarding mais estruturado, mais consistente e mais próximo da prática. Lideranças que avaliaram o potencial de crescimento das novas pessoas apontaram que elas chegam mais bem preparadas para evoluir dentro das expectativas definidas para o nível seguinte, reforçando a importância de um onboarding eficiente para a jornada técnica e de carreira.

“Percebi que os Nubankers estavam muito mais proficientes nas ferramentas, nos frameworks e tecnologias que usamos aqui no Nu, e conseguiram entregar suas primeiras tarefas dentro do time bem rápido. Também achei bem positivo eles já terem o conhecimento do uso do Cursor.” – Bruna Sanglard, Engineering Manager II no Nubank

Conclusão

O novo programa de onboarding já se consolidou como um modelo estruturado e guiado por dados, e os próximos ciclos seguem a mesma lógica de evolução contínua que orienta a Engenharia do Nubank. Continuamos refinando a experiência com base em feedback direto das turmas e das lideranças, expandindo desafios práticos conectados a serviços reais e fortalecendo os touchpoints que garantem engajamento e clareza desde o primeiro dia.

Essa transformação mostrou que preparar pessoas para contribuir rapidamente exige mais do que compartilhar materiais de estudo, mas também contexto, acompanhamento próximo e métricas que permitam enxergar progresso de forma objetiva. O impacto já aparece nos sinais de confiança, nos resultados de aprendizagem e na percepção das lideranças sobre o nível de preparo dos novos engenheiros.

Mais do que reorganizar um processo, essa iniciativa reforça algo que é parte do dia a dia do Nubank: criar experiências que funcionam para as pessoas, reduzir fricção sempre que possível e tomar decisões guiadas por evidências, não por suposições. Ao criar uma jornada intencional e conectada ao ambiente real de trabalho, estamos não só acelerando a entrada de novos talentos, como também fortalecendo a base que permitirá que a Engenharia continue escalando com qualidade nos próximos anos.

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