Este artigo não é só sobre mim. Ele é destinado a qualquer programador que já tenha passado por alguma transição profissional. A minha aconteceu à beira do abismo em que eu passaria de um desenvolvedor iOS nativo para… Bem, o que havia no outro lado não estava claro.

Sou um engenheiro de software colombiano de 34 anos, formado na Universidad de Los Andes (Colômbia) e com onze anos de experiência no setor de tecnologia.

Quando me formei na universidade, apesar do meu desejo de me concentrar em análise de dados (na época isso era chamado de mineração de dados), consegui meu primeiro emprego em desenvolvimento de aplicativos para celular.

No início, comecei trabalhando como desenvolvedor Android nativo em uma empresa dedicada a listas telefônicas na Colômbia, mas após seis meses, me ofereceram a chance de mudar para iOS porque precisavam de suporte para outros aplicativos naquele sistema operacional.

Desde então, tenho trabalhado como desenvolvedor iOS nativo e passei por diversas empresas, incluindo Globant (Colômbia), Rappi (Colômbia), Match (Chile), Banqi (EUA-Brasil) e Scotiabank-Colpatria (Colômbia), antes de chegar ao Nu.

Um desenvolvedor iOS nativo aprende outra linguagem

Apesar de sempre trabalhar com a mesma coisa (iOS) desde então, percebi a importância de ser generalista em um dos meus trabalhos anteriores. O que aconteceu foi que havia uma clara necessidade na equipe de Android e aceitei o desafio de resolver o problema, apesar de estar fora do meu conhecimento.

Evidentemente, no início foi bem difícil me adaptar a uma nova linguagem, a uma nova base de código e a um novo ambiente de desenvolvimento integrado (IDE), mas apesar de tudo isso, entendi que quem consegue assumir a responsabilidade, enfrentar os problemas e deixar o título de lado é sempre apreciado.

Esse aprendizado ficou comigo. Aliás, foi uma das bases que me incentivou a me candidatar ao Nu.

Como se sabe, no Nu trabalhamos com Flutter. Então, minha análise foi a seguinte: se sou um bom desenvolvedor iOS e já havia aprendido Android, não vejo por que eu não seria bom com Flutter.

Depois de algumas semanas passei no processo seletivo, mas não imaginava que logo o desafio não mais seria em aplicativos para celular, mas no desenvolvimento back-end.

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Como aconteceu a transição?

Pouco mais de um ano atrás, na equipe para a qual trabalho (Cartões de Crédito), ficou claro que eu não era mais necessário como desenvolvedor Flutter. Pelo contrário, eu teria que virar um desenvolvedor back-end para realizar diversas tarefas que eram priorizadas.

No início daquele estágio, e apesar de sempre ter tido o apoio de muitas pessoas ao meu redor, dentro de mim havia muita incerteza e medo que me impediam de relaxar com a transição.

Meus pensamentos eram mais ou menos assim:

  • Inexperiência. Me sentia desconfortável de precisar fazer coisas com as quais eu não tinha experiência.
  • Perfil profissional. No meu caso, sempre fui um desenvolvedor para celular, e só queria fazer coisas relacionadas a isso.
  • Situação da carreira. Eu tinha vergonha de pedir ajuda aos colegas com menos tempo de carreira, apesar de saberem mais sobre esses novos assuntos que eu. 
  • Desempenho. Eu me preocupava com avaliações de desempenho devido à comparação entre os engenheiros, e no meu caso, sentia que trabalhar em uma área fora da minha especialidade prejudicaria meu desempenho e, em longo prazo, o resultado do meu ciclo de desempenho.

Observação: O ciclo de desempenho no Nu consiste em uma autoavaliação do seu trabalho no último semestre, na avaliação de outros funcionários do Nubank em relação ao seu desempenho e na ponderação do líder da sua equipe de acordo com seus objetivos e conquistas do semestre.

No fim das contas, apesar de todos os desconfortos, decidi enfrentar o desafio. Atualmente, cerca de um ano após o início, consigo olhar para trás e compartilhar o que deu certo para mim.

De desenvolvedor iOS nativo para generalista: O que me ajudou?

Quando você começa um novo trajeto, você sabe a direção que está indo, mas o que pode acontecer no caminho é um mistério.

Os parágrafos a seguir são uma lista de coisas que me ajudaram, e torço para que possam ajudar outras pessoas que ousam confiar no destino (aqui está uma boa ilustração do que significa confiar no destino).

Invista tempo no pré-treinamento

Você precisa fazer o esforço inicial de entender o básico da nova tecnologia com a qual trabalhará.

No meu caso, isso se traduziu em dois itens: fazer cursos introdutórios para entender os elementos básicos da linguagem e entender a arquitetura dos projetos nos quais eu trabalharia.

Quando você entender isso, já sabe onde começar a pesquisar: as responsabilidades de cada camada e onde determinadas funcionalidades devem estar localizadas, entre outras tarefas.

Crie uma rede de apoio

É necessário criar uma rede de apoio que desbloqueará você nos primeiros meses. Para que isso aconteça, creio que três coisas precisam ser feitas:

  1. É preciso fazer a sua parte. Ou seja, levante sua mão quando tiver dúvidas, mas peça ajuda após se esforçar e entender bem o problema.
  2. Você não pode ter vergonha. Aceite que você não tem todas as respostas, e não há problema em perguntar a algum parceiro, independentemente do tempo de experiência dele. 
  3. É preciso criar laços fortes com seus colegas para que queiram ajudar você. Em outras palavras, se você ficar apenas com “bom dia” e “depois a gente se fala”, dificilmente ajudarão você.

Postura para enfrentar o desafio

Você precisa de uma atitude positiva quanto ao desafio, e isso se traduz em três coisas:

  1. Seja um aprendiz. Tenha certeza de que, para ser bom em algo, é preciso aceitar que você não será bom por um bom tempo, e não tem problema. 
  2. Faça um reinício mental frequente. Todos os dias você precisa reiniciar e pensar que o que não deu para resolver ontem talvez possa ser feito hoje.

Confie no acúmulo de conhecimento. Saber que essas tarefas difíceis que enfrenta hoje são as mesmas que possibilitam que você aprofunde seus conhecimentos.

O que me fez assumir o risco de deixar de ser (apenas) um desenvolvedor iOS nativo?

Acho que aceitar esse desafio permitiu que eu crescesse muito como profissional e evoluísse de muitas formas. Por exemplo:

  • Maior adaptabilidade. Depois dessa experiência, percebi que havia eliminado o estigma de ser um desenvolvedor iOS nativo da minha cabeça, e agora me considero um desenvolvedor com conhecimento em áreas diferentes, o que possibilita que eu trabalhe em qualquer projeto independentemente da estrutura que o gerencie. 
  • Demonstrar outros talentos para minha empresa (e para mim mesmo). Mergulhar de cabeça nessa mudança permitiu que eu mostrasse à minha empresa que estou disposto a aprender coisas novas e que posso contribuir de diversas maneiras, e não apenas pela descrição do trabalho para o qual fui contratado. 

Estou mais preparado para incertezas. Um valor essencial para esse momento de crise econômica e constante evolução das estruturas de trabalho é que aprendi a não ter medo de desafios que envolvem incertezas. No fim das contas, entendi que quando você se acostuma com o desconforto é que começa o crescimento.      

O que me fez assumir o risco de deixar de ser (apenas) um desenvolvedor iOS nativo?

Acho que aceitar esse desafio me fez crescer muito como profissional e permitiu que eu evoluísse de muitas maneiras. Por exemplo:

  • Maior adaptabilidade. Depois dessa experiência, percebi que havia eliminado o rótulo de desenvolvedor iOS nativo da minha cabeça, e agora me considero um desenvolvedor com conhecimento em áreas diferentes que possibilitam que eu trabalhe em qualquer projeto independentemente da estrutura usada.
  • Demonstrar outros talentos para minha empresa (e para mim mesmo). Aceitar esse desafio possibilitou que eu mostrasse à minha empresa que estou disposto a aprender coisas novas e contribuir de diversas maneiras, independentemente da descrição do meu trabalho.
  • Estou mais preparado para incertezas. Aprendi a perder o medo de desafios com incertezas e entendi que, quando você se acostuma com o desconforto, começa a crescer de verdade.

Conclusões

Após essa experiência, e enquanto escrevia este artigo, percebi que todos os meus medos e inseguranças não passavam do meu próprio ego se disfarçando como muitas coisas com o único propósito de evitar situações de vulnerabilidade. 

Quais batalhas eu venci?

Por um lado, acreditar em mim mesmo. Lembro que quando morei em Boston e tive a oportunidade de trabalhar com pessoas formadas em universidades renomadas (Harvard, MIT, Universidade de Boston, Northeastern etc.), inicialmente me senti intimidado, mas ao longo do tempo percebi que eu era tão capaz quanto eles e poderia contribuir na mesma magnitude.

Em segundo lugar, descobri valor em ser persistente e dedicado. Sempre tento ter em mente uma frase que ouvi de um professor enquanto fazia meu mestrado: “Dedique-se. A paixão vem depois.

Um verdadeiro generalista 

Me considerar agora como um “generalista” implica que, quando há um problema ou uma necessidade nos negócios, consigo assumir a responsabilidade e lidar com a situação.

Para concluir, espero que este artigo ajude uma ou mais pessoas que estejam em um processo de transição profissional a ousarem confiar no destino. Posso dizer por experiência própria: você não se arrependerá.

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