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Desde o ano passado, as equipes de engenharia do Nubank colaboram para definir os princípios de tecnologia e desenvolvimento do Nubank. O contexto foi usado para discutir e documentar a forma da equipe de tomar decisões e criar uma identidade. O resultado foram os Princípios de Engenharia do Nubank, bastante discutidos durante um evento virtual e interativo no último mês de maio.
Lindsey Bleimes estava no centro dessas discussões desde o começo. VP de Engenharia no Nubank, ela tem formação em ciência da computação em Carnegie Mellon University e também mestrado na University of Maryland.
Por isso, ela foi a escolha perfeita para entrar na empresa em janeiro de 2020, quando o supercrescimento do Nubank estava prestes a começar, antes da pandemia. Nessa época, o Nubank tinha 20 milhões de clientes. Hoje, são quase 60 milhões. E Lindsey foi uma engenheira que soube interpretar as necessidades técnicas da equipe e dos negócios em crescimento.
Uma americana escolhe o Brasil
Antes do Nubank, Lindsey trabalhou na Lockheed Martin programando software de logística para a Marinha dos EUA, e liderou equipes na Wayfair, com foco na tecnologia de busca e a catalogação de dados, incluindo imagens, modelos 3D e preços.
Nesta entrevista, ela reflete sobre seu cargo, os Princípios de Engenharia do Nubank como um catalisador de decisões diárias, assim como as oportunidades de trabalho na América Latina para engenheiros de todo o mundo.
“Muito da inovação técnica acontecendo no Brasil é devido aos engenheiros do Nubank estarem lá para influenciar decisões e dizer: ‘Sim, isso é possível’”, diz ela
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Da mobília nos EUA à tecnologia financeira para a América Latina
Pergunta: Lindsey, o que você faz como VP? Quais são suas tarefas como VP do Nubank?
Lindsey Bleimes: Eu vejo meu trabalho como uma ajuda. Eu estou ajudando a minha equipe a ser feliz, produtiva, ter sucesso e crescer. Eu estou ajudando meus acionistas a entender o que a minha equipe está fazendo e por que e como nós podemos fazer melhor. E eu estou ajudando a equipe de liderança do Nubank a entender como criar uma equipe de engenharia de alto desempenho e incrível e como isso pode ajudar o negócio e seu crescimento.
Muito do trabalho é conversar e explicar às pessoas, convencendo-as que a tecnologia e o negócio podem trabalhar juntos para fazer os investimentos certos. Tentar ajudar é o meu principal objetivo.
P: Você veio de uma indústria bastante física, na Wayfair. Que oportunidade, como engenheira, você viu quando o Nubank lhe propôs vir para São Paulo, no Brasil, saindo da indústria de mobília para a financeira?
Lindsey Bleimes: Diversas coisas. A primeira é que eu estava trabalhando com mobília há muito tempo e gosto de mudanças. Então eu estava preparada para uma. E outra foi o aspecto internacional. Poder aprender uma nova cultura.
E, especificamente sobre a tecnologia financeira, há muita pressão por inovação em regiões como o Brasil, África e o Sudeste Asiático. Existe menos pressão para ocorrer inovação nos EUA.
P: E por que isso acontece?
Lindsey Bleimes: Hoje, a população dos EUA é relativamente bem servida pelos bancos. A maioria das pessoas têm uma conta bancária. Tudo está mais ou menos funcionando, comparando com coisas que não estão em outras partes do mundo. Então, há muito mais pressão para fazer as coisas de um jeito diferente. Então eu pensei que, se eu vou aprender sobre tecnologia financeira, é melhor fazer isso em um lugar como o Brasil do que nos EUA.
P: E você consegue identificar alguns exemplos do que a população americana tem que a da América Latina não tem, em termos de serviços financeiros?
Lindsey Bleimes: Bem, é mais fácil ter acesso a contas e créditos nos EUA. Existe uma parte da população que é menos servida, mas é menor. Então a oportunidade de negócios não é tão grande. E, falando sobre cartões de crédito, os EUA nunca tinham tido um chip e uma senha numérica até que o restante do mundo começou a exigir. Então, a tecnologia para inovações básicas como essa está um pouco atrás nos EUA.
Vir para o Nubank foi uma oportunidade de aprender tudo isso e recomeçar a fase de supercrescimento, além de poder ajudar. O Nubank está crescendo muito rapidamente. A oportunidade é tão grande que às vezes assusta de um jeito bem emocionante.
Tornando-se uma empresa global: a influência da engenharia do Nubank
P: Mais cedo ou mais tarde, o Nubank pode se tornar uma empresa global, em vez de uma da América Latina. Neste sentido, o que você identifica como um ponto forte do Nubank, em termos de engenharia?
Lindsey Bleimes: Nós construímos uma equipe e temos pessoas que são muito inteligentes, motivadas e independentes. Elas realmente gostam de problemas de negócios. Elas adoram resolver problemas, pensar no cliente e fazer grandes coisas. E elas não estão lá apenas para receber ordens. Estão lá para ser parte da solução e ter suas vozes ouvidas; desafiar o status quo, como nós gostamos de dizer.
No Nubank, engenheiros entendem o poder da engenharia. Se algo é bem feito, pode expandir. E isso é evidente com o Nubank. Nós expandimos para quase 60 milhões de pessoas em um ritmo incrível. E sem maiores problemas. É fantástico poder colocar em prática um sistema capaz de lidar com isso.
Acho que o ponto forte é sempre pensar no futuro, no longo prazo, agir rapidamente e manter um sistema saudável. Nós temos engenheiros que trabalharam com o Banco Central do Brasil (Bacen) para mostrar o que é possível.
Muito da inovação técnica acontecendo no Brasil é devido aos engenheiros do Nubank estarem lá para influenciar decisões e dizer: “Sim, isso é possível. Você pode fazer isso.”
P: Isso aconteceu em relação a qual assunto?
Lindsey Bleimes: Especificamente o Pix, que é uma nova forma de fazer transferências e pagamentos instantâneos, funcionando em todos os dias do ano. O Nubank tem orgulho de ter colaborado com o Banco Central do Brasil (Bacen) na concepção deste produto, compartilhando nossa expertise em transações digitais desde o primeiro dia.
Oportunidades de desenvolvimento
P: O que mudou depois da pandemia em relação a mais oportunidades de trabalho no Nubank? Por que o Nubank é atrativo para engenheiros ao redor do mundo?
Lindsey Bleimes: Eu acho que, em relação ao mundo, a indústria de tecnologia brasileira é conhecida por ser bastante prática. Acho que tem uma frase que falam muito no Brasil: “Você dá um jeito de consertar.” E nós temos uma equipe internacional com engenheiros de seis países diferentes.
Eu diria que, para qualquer engenheiro, é fundamental trabalhar com pessoas que possuem uma perspectiva diferente da sua. É um dos motivos pelos quais eu escolhi vir para um Brasil. É um dos motivos pelos quais eu trabalhei na Alemanha por um tempo. E essa colaboração é muito fundamental, porque você consegue os melhores resultados quando possui diversas opiniões e contextos. “Múltiplas perspectivas criam software melhor” é um dos Princípios de Engenharia aqui no Nubank.
Então, se você só trabalhou com pessoas no seu país, está perdendo algumas perspectivas.
P: Por que o Brasil, país com a maioria dos 60 milhões de clientes do Nubank é tão atrativo para você?
Lindsey Bleimes: O Brasil tem uma cultura única. Existe outra frase que falam muito: “O Brasil não é para iniciantes”, o que é verdade. É verdade no sentido de negócios, já que o cenário regulatório é complexo e desafiador. Falando de tecnologia financeira, há muitos mecanismos de pagamento e coisas que são diferentes.
O Brasil tem uma das maiores taxas de fraudes no mundo, o que evidencia uma oportunidade técnica interessante para entender como você se defende contra isso e como fazer algo que funciona em um mercado tão perigoso.
Há poucos lugares que apresentam este tipo de desafio. E, falando por mim, eu gosto muito de aprender sobre a cultura e a história do país no mundo.
Temos uma equipe que é global hoje, com pessoas em três continentes diferentes. E queremos ser ainda mais globais. Então, temos uma grande oportunidade pela frente.
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