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Contribuições: Gabriela Ramos e Pedro Gonçalves
Entre os desafios das entrevistas para Business Analysts, a famosa “case interview” muitas vezes causa dúvidas. Esse tipo de dinâmica – comum em muitas empresas – serve para avaliar o raciocínio lógico, habilidades técnicas e comportamentais, senso de negócio, e como a pessoa candidata lida com problemas do dia a dia.
Esse artigo é o primeiro de uma série de três textos sobre a case interview do Nubank! Clicando aqui, você encontra os outros conteúdos da série, além de muitos outros assuntos importantes sobre o dia a dia de Business Analysts aqui no Nu!
A seguir, detalhamos o passo a passo de uma case interview, com exemplos práticos. Assista ao vídeo abaixo para mais insights.
O que é um case?
Um case nada mais é do que um problema ou situação real de negócio. Ele pode ou não ser inspirado em desafios específicos do Nubank, mas o cenário apresentado é secundário; o importante é como o candidato aborda a resolução.
Ao agendar uma case interview, queremos avaliar como o candidato enfrentaria desafios típicos da área e tomaria decisões em situações reais. Isso nos permite observar características essenciais para o dia a dia de um BA no Nubank:
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Exemplo de case no Nubank
O melhor maneira de explicar o que é um case é mostrando um:
Abaixo, temos um exemplo usado aqui no Nubank e algumas das respostas mais comuns dadas a ele. Esse tipo de análise pode ajudar a mostrar o que consideramos uma boa resposta – e o que de fato está sendo avaliado.
“Case: você é manager em uma startup que vende comida saudável por delivery online. Hoje, você vende porções individualmente. A sua estratégia não está funcionando tão bem e vocês estão perdendo dinheiro. Você está considerando oferecer um serviço de assinatura onde os clientes pagariam anualmente e receberiam várias porções ao longo de todo o ano.”
A primeira coisa que acontece em uma entrevista de case é a apresentação do contexto, ou seja, do problema que precisa ser resolvido. No caso acima, falamos de um delivery de comida que pretende disponibilizar pacotes anuais. Todas as perguntas que virão a seguir são sobre o contexto apresentado.
Pergunta 1: Quais dados ou quais pontos você gostaria de analisar para decidir se essa ideia seria viável ou não?
É comum querer responder rapidamente, mas estruturar o raciocínio antes de começar pode trazer clareza. Abaixo, dois exemplos de resposta:
Candidato A: “Eu pensaria na receita bruta. Talvez nossos clientes atuais migrem para o plano, mas isso pode reduzir a rentabilidade por cliente. Também consideraria que as pessoas podem enjoar do produto, o que afetaria a retenção. Acho que manteria o modelo atual.“
Candidata B: “Eu dividiria a análise em duas perguntas: é financeiramente viável? E é possível de executar? Primeiro, analisaria o mercado, a demanda e a competição. Consideraria também a canibalização do modelo atual e a viabilidade operacional – por exemplo, se conseguiremos manter a qualidade e adaptar a logística.”
Análise das respostas
Estruturando a resposta de um case
Em perguntas como a do exemplo, o objetivo é verificar se o candidato consegue priorizar fatores relevantes e comunicar com clareza. O erro comum é improvisar sem uma estrutura lógica, o que pode comprometer a clareza do raciocínio.
Para construir uma resposta sólida, siga alguns passos:
Primeiro passo: entenda a pergunta
Antes de responder à pergunta, tenha certeza de que entendeu qual é o objetivo dela. Analise o que diz o enunciado com atenção. No caso do exemplo anterior, o enunciado diz que:
Segundo passo: entenda o objetivo da pergunta
O que a pergunta dá a entender? Qual é o desafio real do case?
No nosso exemplo, o objetivo com o novo plano de negócio é ter uma empresa rentável, ou seja, ter lucro. Ainda assim, como o enunciado não é tão explícito, seria perfeitamente adequado se o candidato perguntasse se por “ideia viável” o entrevistador quer apenas saber se o negócio pode ser lucrativo ou se existem outras restrições de investimento.
É importante esclarecer esses pontos, pois pode haver casos em que o enunciado é apenas sobre aumento de vendas e receita – e não faria sentido o candidato perder tempo explorando formas de reduzir custos.
Antes de começar a responder, o candidato pode pedir alguns minutos para criar uma lista do que ele considera importante ter em mente na hora de responder. Isso pode ser feito em voz alta, conversando com o entrevistador, ou em silêncio – para ser dividido depois.
O importante é tentar criar uma estrutura completa de pontos que não devem ser negligenciados na hora de resolver o problema.
Uma alternativa bem simples para a organização do raciocínio seria simplesmente dividir em vantagens e desvantagens. Com apenas uma pequena segmentação o candidato já torna o seu raciocínio muito mais claro para o entrevistador.
Terceiro passo: segmente a resposta
Uma outra forma de divisão poderia ser feita de acordo com fatores que afetam a produção, a venda e o mercado, como na imagem a seguir.
A vantagem de estruturar o pensamento é poder começar a explicação de forma mais direta. “Eu gostaria de explorar alguns fatores a respeito de como essa decisão afetaria a nossa produção, venda e posição no mercado“.
Ao já começar levantando as três áreas que quer abordar, o candidato mostra que está pensando no problema como um todo, antes mesmo dos fatores serem citados. Além disso, esse tipo de organização permite que o candidato apresente uma lista exaustiva de tudo o que deve ser analisado em cada item.
Outro ponto positivo é a possibilidade de identificar falhas no raciocínio antes mesmo de começar a explicação. Olhando para as anotações, por exemplo, o candidato pode perceber que talvez esteja se preocupando pouco com o mercado e muito com a produção. Outros fatores que poderiam ser acrescentados à lista seriam a demanda e a previsão de crescimento do segmento de planos anuais de entrega.
Existem várias formas de estruturação de cases, e é possível encontrar vários artigos e vídeos sobre isso na internet. Vale lembrar, no entanto, que não existe um único framework que funcione para todos os problemas. Além disso, o objetivo do case não é saber se o candidato decorou alguma estrutura, mas sim perceber se ele é capaz de ouvir um problema e pensar em uma forma de estruturá-lo que ajude a raciocinar sobre ele e a passar a mensagem para o entrevistador.
Isso se aplica não apenas à primeira, mas às demais perguntas do case.
Por exemplo, no case acima, a Candidata B deu uma resposta completa. Nesse cenário o entrevistador poderia desafiá-la com mais uma pergunta:
Pergunta 2: Imagine que você implementou essa mudança (modelo de assinatura de comida). Como você traçaria um plano para saber se está valendo a pena?
Uma boa forma de planejar a resposta é destacar todas as variáveis que precisam ser levadas em conta:
Fatores financeiros:
Fatores não financeiros:
Lembrando que, ao falar de fatores financeiros, olhar o cenário completo é essencial. Apesar de parecer simples, muitos candidatos acabam abordando receita ou custo de forma individual e acabam esquecendo que o mais importante é a combinação dos fatores. “O custo caiu pela metade com a mudança, mas quase nenhum cliente aderiu” ou “Muitos clientes aderiram, mas o custo aumentou e nós não conseguimos prever adequadamente as novas demandas e gerir a logística”.
Nesses dois exemplos, fica claro que, se abordasse apenas um dos temas, a pessoa candidata poderia tomar uma conclusão errada sobre a situação.
O que é avaliado em um case?
Seguindo o exemplo do case deste post, até agora, o candidato já pôde demonstrar várias habilidades técnicas e capacidade de raciocínio lógico.
Nesse ponto, o entrevistador vai além e fornece alguns números para análise – o que permitirá uma avaliação mais completa dessas habilidades.
Pergunta 3: “Você chegou a falar um pouco sobre fatores financeiros e queremos descobrir o número de assinaturas necessárias para atingir o breakeven. Como podemos fazer isso?”
O breakeven é uma expressão em inglês que designa o ponto de equilíbrio nos negócios em que não há nem lucro nem prejuízo.
É importante que o candidato pergunte pelos dados levantados no framework da questão anterior. Podemos fornecer uma tabela ou apenas citar alguns dos números do case (como o custo fixo, o valor da assinatura, o custo de produção e a distribuição de cada refeição, por exemplo).
Nesse momento, o que será avaliado no candidato é a facilidade com números e com estruturação de problemas.
A resposta dessa pergunta será um número de assinaturas, e você pode inclusive usar a calculadora para chegar nela. Mas o importante não é o valor em si, mas o raciocínio elaborado na resolução do problema.
Algumas pessoas candidatas hesitam antes de partir para as contas, mas isso é esperado delas.
O primeiro conselho para não se perder é anotar o seu objetivo em um papel. Alguns candidatos esquecem qual é a pergunta inicial – que, no caso, é: “número de inscritos para o breakeven”.
Outra dica importante é ouvir a pessoa que está conduzindo a entrevista. É normal que ela te peça para desconsiderar alguns fatores ou números em algumas partes da resposta para que o case flua mais facilmente.
Uma prática eficaz para se conectar com o entrevistador nas partes numéricas é explicar como você pretende abordar o problema e quais cálculos usará para chegar à resposta.
O papel do entrevistador é facilitar o processo, confirmando quando algo está claro e orientando caso você perca o fio do raciocínio ou deixe algum ponto passar.
Avaliação qualitativa
Além da avaliação quantitativa, a avaliação qualitativa também é crucial nesta etapa. Estamos atentos a como o candidato comunica suas ideias, estrutura seu pensamento e reage a ajustes de informações:
Nesse exemplo de case de assinatura de alimentos, uma próxima pergunta poderia ser:
Pergunta 4: “Você lançou o produto e eventualmente não conseguiu o número de clientes esperado nos primeiros meses – ou seja, o próprio custo por cliente está subindo. Quais seriam as possíveis saídas para essa situação, dado que redução de custo não é uma opção”.
O objetivo aqui é sentir se o candidato tem noções básicas de negócios e entende que esse tipo de decisão envolve centenas de fatores.
Por exemplo:
Nesses exemplos, o candidato poderia até falar sobre o que considera pontos positivos e negativos para cada uma dessas situações.
Em muitas etapas do case, não necessariamente existe uma resposta certa. A lógica, o raciocínio e a capacidade de estruturar os problemas são muito mais importantes, bem como a forma de articular os pontos levantados.
Por isso, nós não buscamos pessoas que saibam resolver o problema específico apresentado: buscamos pessoas que entendam a complexidade e saibam ponderar, de forma sensata, os pontos positivos e negativos de cada decisão.
A case interview é uma parte fundamental do nosso processo seletivo. Ela ajuda o Nubank a entender como as pessoas lidam com situações do dia a dia muito comuns à rotina de BAs – além de ser muito importante para avaliar se um candidato se encaixa nas expectativas da vaga e na nossa forma de trabalho.
Com esses exemplos acima, esperamos ajudar na preparação de quem está participando de processos seletivos com case interviews.
Afinal, o nervosismo e a falta de experiência com esse tipo de entrevista podem atrapalhar pessoas muito bem preparadas para os desafios que enfrentamos no Nu.
Concluir o seu processo seletivo com confiança é essencial, e este guia é apenas o primeiro passo! Essa é a primeira parte de uma série de três textos que exploram o universo da case interview no Nubank.
Acompanhe o restante da série para mais insights, dicas práticas e outros tópicos que fazem parte do dia a dia dos Business Analysts por aqui. Continue sua jornada clicando aqui e mergulhe nos conteúdos que vão ajudar você a se preparar para os desafios e oportunidades que o Nubank oferece!
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