Na 14ª edição do Nu Engineering Meetup, Lucas Cavalcanti, Distinguished Software Engineer e Senior Architect, compartilhou aprendizados de sua trajetória de uma década no Nubank.

Tendo ingressado na empresa no fim de 2013 como um dos primeiros engenheiros, Lucas esteve no centro de todas as principais decisões de arquitetura desde os primeiros sistemas de cartão de crédito até as grandes mudanças de infraestrutura necessárias hoje para atender mais de 122 milhões de clientes.

Liderança além do código

Para Lucas, chegar a posições de liderança técnica sênior exige muito mais do que habilidade técnica. Seja liderando um projeto, um time ou uma área tecnológica específica, a influência vem da capacidade de comunicar ideias com clareza, engajar pessoas e guiá-las até a solução, especialmente em funções sem autoridade direta sobre outros. No Nubank, a liderança técnica está enraizada na colaboração, na persuasão e na resolução de problemas em conjunto.

Lucas ressalta que, quanto mais se avança na trilha técnica, mais o trabalho se assemelha ao de gestão, com exceção da gestão direta de pessoas. No nível de Distinguished Engineer, seu dia a dia envolve decisões de arquitetura, planejamento estratégico e coordenação de múltiplas iniciativas, exigindo habilidades de liderança tanto quanto profundidade técnica.

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Escolhendo a trilha técnica

Nos primeiros anos do Nubank, a engenharia operava em “modo de sobrevivência”: problemas surgiam diariamente e todos se mobilizavam para resolvê-los. Os primeiros cargos formais de gestão só apareceram por volta de 2017 e, na época, muitos engenheiros seniores, incluindo Lucas, perceberam que preferiam seguir na trilha técnica em vez da gestão de pessoas.

Lucas se tornou o primeiro Principal Engineer (IC9) do Nubank em 2018, ajudando a definir a carreira técnica na empresa. Neste ano, avançou para Distinguished Engineer (IC10), continuando a moldar o papel e as decisões de arquitetura que vão possibilitar a próxima fase de crescimento do Nubank.

Evoluindo a arquitetura para o hiper crescimento

Sair de zero clientes em 2014 para mais de 122 milhões hoje exigiu uma evolução constante na arquitetura. No início, o Nubank construiu seus sistemas em Clojure com Datomic, implantados na AWS usando CloudFormation e imagens AMI.

À medida que o crescimento acelerou, o stack evoluiu para Docker e Kubernetes, microsserviços e, por fim, para uma arquitetura de Core Banking capaz de sustentar múltiplos produtos em diferentes países.

A expansão internacional trouxe o desafio de adaptar sistemas a diferentes contextos regulatórios e de mercado. Melhorias de escalabilidade, como o sharding implementado em 2016, funcionaram bem por um tempo, mas acabaram esbarrando em limites físicos, incluindo situações em que a AWS não tinha mais máquinas disponíveis para acompanhar o ritmo de crescimento do Nubank. Hoje, mudanças de arquitetura de grande porte são essenciais para manter esse ritmo.

Equilibrando padronização e criatividade

Nos primeiros anos, a Engenharia de Software se organizava em guildas para experimentar, construir e evoluir as tecnologias e ferramentas usadas pelo Nubank, paralelamente ao seu “trabalho principal” de entregar produtos. Na escala atual, existem times dedicados à construção e evolução dessas tecnologias e ferramentas, permitindo que os engenheiros nos times de produto foquem em resolver os problemas dos seus produtos.

Nos times de infraestrutura e plataforma, a criatividade continua sendo essencial. Muitos dos desafios que o Nubank enfrenta em larga escala não têm soluções prontas, o que leva os engenheiros a inovar em arquitetura, ferramentas e operações.

Mantendo desempenho e bem-estar

Lucas divide sua carreira em duas fases: os anos de startup de alta intensidade, com pouco equilíbrio entre vida pessoal e profissional, e o momento atual, mais estruturado, com times organizados para evitar incêndios constantes. Hoje, ele busca viabilizar múltiplas iniciativas sem ser gargalo e, como pai recente, manter o trabalho dentro do horário de trabalho.

Seu conselho: no início da carreira ou na fase inicial de uma startup, vale a pena dedicar energia extra, pois o retorno pode ser significativo. Mas isso não é sustentável no longo prazo, e entender seu nível de energia e ajustar o trabalho de acordo é fundamental para evitar burnout.

Olhando à frente: IA e inovação financeira

Lucas vê a inteligência artificial, especialmente os modelos de linguagem de grande porte, como uma das tecnologias emergentes mais impactantes. Apesar do potencial claro de produtividade, também existem riscos, como gerar mais conteúdo do que as equipes conseguem consumir ou manter. O desafio será encontrar casos de uso onde a IA entregue valor de forma consistente.

Nos serviços financeiros, inovações como o Pix são transformadoras. Assim como existe um “antes e depois” do WhatsApp, o Pix mudou a forma como as pessoas interagem com o dinheiro. Lucas acredita que tecnologias semelhantes impulsionarão uma integração mais profunda entre países e mercados.

De definir os primeiros padrões de engenharia do Nubank a moldar a arquitetura para a próxima década, a trajetória de Lucas reflete a evolução tanto da empresa quanto de sua cultura de engenharia. Os desafios mudaram, mas a missão segue a mesma: remover a complexidade da vida das pessoas, incentivar a criatividade e capacitar os times a entregar soluções de alto impacto.

É uma jornada que nos inspira a construir o futuro roxo.

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